quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Vinte ou mais?

Ao distanciar, desfaço-me
No refletir, agacho-me
No pensar, Fragmento-me
Ao respirar, vivo...

Guarde seus pesadelos
Tristezas, e desejos
Rótulos, e guardanapos
Tudo que você guarda
No submundo desses trapos

Imundos sóis dourados
Ridicularmente delicados...
Fazendo-nos de retardados
Nesse mar de desamparados

Imundas opiniões
Ridículas multidões
Idolatrias aos pavões...
Esses nada do nada
No fundo das ridículas asas
Se mordem com medo,
De suas hilariantes risadas

Autor: Danilo Noberto

O surreal #3




Um corredor escuro e abafado se encontra em sua frente, do outro lado, apenas uma porta branca idêntica a que ele acabou de abrir. Uma iluminação precária possibilita que possa-se perceber que o corredor tem um tamanho razoavelmente longo. Dylam percebe que nele, não só as paredes são revestidas por veludo, mas o chão também. Isso o traz uma sensação de inquietação terrível e, com firmeza dá o primeiro passo em direção a porta branca do outro lado. Enquanto caminha, é invadido por uma sensação de paz, apesar de abafado, aquele corredor não transmite uma sensação de aprisionamento. Por alguns momentos, Dylam se sente livre. Agora correndo, ele vai se aproximando da misteriosa porta branca. Motivado por uma curiosidade que o deixa inquieto, Dylam chega a porta, com movimentos rápidos a abre, e só consegue vislumbrar a escuridão. A fraca iluminação das lâmpadas do corredor não chega ao local. Sem medo, dá um passo para dentro do local absurdamente escuro, e não acha nada abaixo de seus pés quando pensara achar o chão. Sem apoio, Dylam acaba caindo num abismo. Numa queda livre pavorosa, ele se delicia da sensação de estar prestes a morrer. Enquanto cai para escuridão mórbida abaixo de si, sua mente não entende mais nada do que está, ou poderia estar acontecendo ali. Na verdade, parece que nunca entendeu... “Onde estou?” e “Por que estou aqui?” são as perguntas que o corroem. Nos segundos que mais parecem eternidade Dylam relembra toda angústia que passou com a morte de sua mãe. Em como todos seus amigos e familiares vão sentir algo parecido quando ele se for. De repente, Dylam começa a avistar um foco de luz, “talvez seja o fim do abismo”, pensa. Quanto mais se aproxima da claridade, mais ele consegue ver algo refletindo a luz. Parece... Parece água!

Dylam sente o impacto de seu corpo contra a água de forma brusca. Acaba afundando por conta da altura da queda, sorte que o local tem uma boa profundidade, assim consegue retornar a superfície, percebendo que está numa piscina gigante. Ele começa a nadar em direção a borda de cerâmica bege, que circula a piscina. Quando sai, ofegante e com o coração a mil, percebe que está numa gigantesca sala, onde a piscina se encontra no centro, e acima dela o buraco de onde ele caiu. A sala é praticamente idêntica a primeira com exceção de seu tamanho extremamente superior (talvez dez vezes maior), e da gigantesca e profunda piscina ao centro.

Sentado sobre a borda da piscina ele percebe outra diferença entre esse local e a antiga sala onde ele estava. Aqui é frio. Ao contrário do local anterior esse tem um clima agradável e acolhedor. Não há vento algum, mas o local é frio. Não um frio insuportável, mas sim um frio ameno e acolhedor, que esbarra em seu corpo e lhe acalma. Agora mais do que nunca, nada faz sentido para Dylam.

Continua...

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Amorosas utopias


Revitalisando o revisar
Podres sombras do não amar
Razões se esvairem
No vento dos mares
Pois não sabem amar
Pois não sabem cantar
Anunciam-se sãs,
Mas não sabem amar...

Podres obsessões
Que não podem amar
Rascunhos mal feitos
Não sabem reivindicar?

Esse prazer de se amar
Dá esperança ao desconforto
Numa folha de papel
observemos um esboço
Do falso amor de poesias
Que numa falsa utopia
Não sabem amar

Autor: Danilo Noberto

sábado, 24 de novembro de 2012

Depressão




Paredes sujas, enrustidas por um reboco fajuto. Lugar inóspito, impróprio... Talvez seu quarto já tenha sido mais habitável. Hoje, baratas locomovem-se em meio a podridão. Hoje, seus mais obscuros pensamentos são obtidos neste lugar. Seu corpo, antes forte e esbelto, agora mais parece um saco de ossos podres. Também, há quanto tempo ele já deve estar por lá? Talvez duas semanas ou mais! E as persianas da Pequena e retangular janela do quarto fechadas desde então; tornado o lugar extremamente escuro, tanto no dia quanto na noite.
               Ele não consegue ver nada além da notável escuridão ao seu redor. Que sensação desagradável! Sentir que há alguma coisa para ser vista, apreciada, e só conseguir vislumbrar o obscuro... Mas o que há lá para ser apreciado? Um quarto sujo, numa casa desgastada pelo tempo.
O ar que esbarra em seu corpo é gelado. Gelado como a noite. Boa parte de seus pensamentos naquele momento parecem inúteis. Não há nada que ele possa fazer além de esperar. Mas por que esperar? Por que fingir estar bem? Perguntas às vezes se mostram difíceis... Às vezes não temos respostas ou, não queremos saber tais respostas. Simplesmente esperamos e vivemos. Por que procurar explicações?
Seu corpo doía muito, e não era uma dor suportável. Seu cérebro tentava manter a razão ou pelo menos a lucidez. Mas a exaustão havia chegado. Naquele momento ele não tinha forças. Nem para pensar, nem para movimentar seu corpo. Tentava lembrar-se de como tudo começou, percebendo que “A felicidade se transforma por meio de circunstâncias.” Numa Hora era feliz, Saudável e inteiramente apaixonado. Agora, apenas um homem demasiadamente fraco. Tanto fisicamente quanto psicologicamente. 
Com um esforço descomunal ele consegue se levantar da velha cama onde estava deitado de bruços. Primeiro, senta-se na beirada da cama, e logo após consegue ficar de pé (ainda que simples, para ele este fora um grande feito). Com passos lentos ele caminha até a janela retangular que fica no lado oposto ao da cama. Abre as persianas, e volta a deitar-se. O pequeno quarto, antes escuro, agora é iluminado pelos raios de sol de um dia que acabara de começar.  Um pensamento vem a sua mente no instante em que vê uma borboleta pousar delicadamente no vidro empoeirado de sua janela. “Por que ainda estou aqui?” Bem, ele não sabe. Na verdade, naquele instante, ele não sabe de nada. Ele só quer ficar ali, se espalhando em pensamentos sem sentido. Navegando em idéias surreais. Mas como ele poderia estar pensando em coisas “sem sentido”, se ele nem sabe qual é o “sentido” ou, pelo menos o que é um “sentido”. Talvez ele só quisesse inventar seu próprio sentido; talvez até modificá-lo se o mesmo já existisse.
Sua barriga ronca. Já faz uns dois dias que ele não come nada. Bem, pense pelo lado positivo: ”Pelo menos não estou com sede”. Os pães secos que comia já acabaram e sua água já está nas ultimas também, logo não vai ter nada para beber. Ele só saía do quarto para comer; depois que acabou seu estoque de pães ele não sai mais de lá. Antes, tinha de passar por um pequeno corredor até a cozinha. Agora só levanta de sua cama para abrir as persianas, e beber água da garrafa transparente que fica sobre a escrivaninha de seu quarto. Agora jaz ali, numa casa velha do subúrbio da cidade, um homem doente.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O surreal #2




Além das dúvidas que cercam a mente de Dylam, o cansaço chegou pra ficar. Depois de algum tempo, não aguentou mais a dor nos pés, tirou a camiseta velha que usava para dormir e a rasgou no meio. Amarrando uma banda em cada pé, para que o contato com aquele chão quente não causasse piores danos. Com o cansaço em níveis críticos quase não conseguia se manter de pé, e isso é um grande problema. Se ele acabar desmaiando, corre o risco de se queimar com o calor emitido pelo chão.
Com um suspiro forte, ele relaxa os músculos da face de forma calma. Apóia o ombro numa das paredes revestidas por veludo. Fecha os olhos e tenta imaginar no que ele poderia estar fazendo se estivesse em casa, mas depois de pouco tempo se desencosta, por conta da elevada temperatura da parede. Nesse momento ele sente o chão sob seus pés balançar levemente e, estranhamente, começam a surgir pequenas aberturas brancas nas paredes, no formato de furos de bala. Soltando uma fumaça densa e mal cheirosa, essas aberturas transmitem caos para seus pensamentos. O tremor começa a aumentar repentinamente, as dúvidas na mente de Dylam agora se tornam desespero. A fumaça é asfixiante, e a agonia de estar morrendo naquele lugar é revoltante. “Vou morrer, e nem sei onde estou.” Ele pensa com desprezo.
Sem pensar duas vezes Dylam começar a desferir socos e pontapés desesperadamente na parede. Em toda sua vida ele nunca tinha passado por um momento como esse, de desespero total. Enquanto ele desfere os ataques na parede mil coisas passam na sua mente, sobre como depois de algum tempo em coma, sua mãe teve morte cerebral, e seu pai ficou desolado. Sobre como depois disso, quantas vezes ele imaginou como seria morrer. Parece que agora finalmente ele vai descobrir. 
De repente, as pequenas aberturas nas paredes somem bruscamente, junto com a fumaça. Dylam respira fundo quando vê que se abriu uma porta no meio de uma das paredes. Incrível! Uma porta branca, com uma maçaneta dourada que refletia a fraca lâmpada existente no local. Uma porta que com toda certeza não estava lá antes. Seu coração palpita forte no peito enquanto caminha em direção a ela, e com confiança roda a maçaneta abrindo-a com cautela. 

Continua...

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O surreal #1


“Diferentes razões, embalsamadas em frascos caros. Presas em corações sem esperança. Fracassos espalhados por todos os lados de suas vidas os fazem desistir de viver, de amar. Grandes transformações os fazem perceber diferentes orientações. Diversos caminhos impostos em suas mentes.”


Com um olhar brando para os lados, o jovem Dylam confere o ambiente ao seu redor, uma sala de estar ampla e aconchegante. Ele senta, e relaxa os músculos para que possa usufruir de seu relaxante sofá branco. Dylam nunca foi mal de vida. Nascido numa família de classe média alta, sempre estudou nos melhores colégios da cidade... Depois de acabar o ensino médio, entrou em uma das melhores Faculdades do país, mas não terminou o curso. Largou para dedicar-se integralmente a sua carreira como pintor. Ele liga a TV, assiste um pouco, e logo cai no sono.
Está quente. Muito quente. Gotas se suor escorrem por seu rosto quando ele se levanta bruscamente. O ar está pesado, quente. Ele logo percebe que não está em casa. O chão branco está estranhamente quente. Uma sensação aguda de claustrofobia o invade quando percebe que o lugar onde está não possui janelas ou portas, apenas paredes pretas revestidas por um veludo macio e uma iluminação fajuta. Seu cabelo grande e liso também não ajuda a amenizar o calor, isso só o faz ficar ainda mais desesperado. A confusão que é formada em sua mente é familiar. Ele já tinha sentido algo parecido quando se perdeu andando de bicicleta, em seu antigo bairro de seu tempo de criança. Apesar de na época parecer que ele iria ficar ali, sem rumo pra sempre, depois de algumas horas seu pai o achou. Mas ele nunca esquecerá o olhar preocupado de seu pai, da janela da caminhonete gritando seu nome. Aquele olhar lhe transmitiu paz, uma coisa que estava em falta na sua vida. Alguns meses antes dele decidir se aventurar pelas desconhecidas ruas do bairro em sua bicicleta, sua mãe sofreu um grave acidente de carro. Estava em coma desde então, e isso era difícil de encarar. Ainda mais pra uma criança de apenas oito anos. Mas naquele momento, o olhar de seu pai foi mais reconfortante que qualquer palavra. Não só o desespero de não saber onde está, mas o desespero da vida em si desapareceu no momento em que o olhar de preocupação e alivio emanou dos olhos castanhos de seu velho pai, e o acertou como uma flecha acerta um alvo.
Todas essas lembranças passam em sua mente como um raio no horizonte, e ele acaba dando um leve sorriso. Mais calmo, tenta entender o que se passa começando a apalpar as paredes de veludo. O veludo preto demasiadamente quente incomoda suas mãos, ele acaba retirando-as rapidamente. Na verdade, tudo ali o incomoda. Desde o clima quente e abafado do pequeno cômodo, até aquele veludo esquisito nas paredes. Isso sem falar naquele chão que está castigando seus pés com sua temperatura elevada. 

Continua...

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Quando estou só


Eu gosto de ficar só, e, de certa forma isso é bom. Quando estou só, e ao meu redor só resta o silêncio, sinto emoções mais fortes do que se eu estivesse com qualquer outra pessoa ali. Reflito muito mais do que refleti com qualquer pessoa ao meu lado. Sozinho eu consegui enteder o motivo de minha existência, consegui decifrar diversas perguntas que me rondavam ao longo dos anos. Porém num momento eu desconbri que em todos esses momentos eu não estava só, que havia algo mais... Deus sempre esteve ao meu lado, e sinto que nos momentos em que estou só, quando eu penso estar isolado de todo o mundo, é quando sinto sua presença de uma maneira inimaginável. E hoje percebo que nos momentos em que não há niguém por perto, me sinto mais vivo do que se estivesse entre milhões de pessoas.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Seres reciclados...


Num dia ensolarado eu me encontrei perdido em pensamentos. Nesse sistema cotidiano que as vezes parece uma prisão, ou até uma canção machucada, que sem arrependimentos foi remendada. No fim eu acabei encarnando um personagem simpático e feliz. Eu havia me machucado e só fui remendado; a cada segundo a dor dessa ferida me lembra disso. É frustante, reconfortante e esperançoso ao mesmo tempo isso não me deixar triste. Na verdade me sinto feliz por ter sido ao menos remendado. Fui reciclado sem merecer nem mesmo ser usado.