quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O surreal #2




Além das dúvidas que cercam a mente de Dylam, o cansaço chegou pra ficar. Depois de algum tempo, não aguentou mais a dor nos pés, tirou a camiseta velha que usava para dormir e a rasgou no meio. Amarrando uma banda em cada pé, para que o contato com aquele chão quente não causasse piores danos. Com o cansaço em níveis críticos quase não conseguia se manter de pé, e isso é um grande problema. Se ele acabar desmaiando, corre o risco de se queimar com o calor emitido pelo chão.
Com um suspiro forte, ele relaxa os músculos da face de forma calma. Apóia o ombro numa das paredes revestidas por veludo. Fecha os olhos e tenta imaginar no que ele poderia estar fazendo se estivesse em casa, mas depois de pouco tempo se desencosta, por conta da elevada temperatura da parede. Nesse momento ele sente o chão sob seus pés balançar levemente e, estranhamente, começam a surgir pequenas aberturas brancas nas paredes, no formato de furos de bala. Soltando uma fumaça densa e mal cheirosa, essas aberturas transmitem caos para seus pensamentos. O tremor começa a aumentar repentinamente, as dúvidas na mente de Dylam agora se tornam desespero. A fumaça é asfixiante, e a agonia de estar morrendo naquele lugar é revoltante. “Vou morrer, e nem sei onde estou.” Ele pensa com desprezo.
Sem pensar duas vezes Dylam começar a desferir socos e pontapés desesperadamente na parede. Em toda sua vida ele nunca tinha passado por um momento como esse, de desespero total. Enquanto ele desfere os ataques na parede mil coisas passam na sua mente, sobre como depois de algum tempo em coma, sua mãe teve morte cerebral, e seu pai ficou desolado. Sobre como depois disso, quantas vezes ele imaginou como seria morrer. Parece que agora finalmente ele vai descobrir. 
De repente, as pequenas aberturas nas paredes somem bruscamente, junto com a fumaça. Dylam respira fundo quando vê que se abriu uma porta no meio de uma das paredes. Incrível! Uma porta branca, com uma maçaneta dourada que refletia a fraca lâmpada existente no local. Uma porta que com toda certeza não estava lá antes. Seu coração palpita forte no peito enquanto caminha em direção a ela, e com confiança roda a maçaneta abrindo-a com cautela. 

Continua...

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