quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O surreal #3




Um corredor escuro e abafado se encontra em sua frente, do outro lado, apenas uma porta branca idêntica a que ele acabou de abrir. Uma iluminação precária possibilita que possa-se perceber que o corredor tem um tamanho razoavelmente longo. Dylam percebe que nele, não só as paredes são revestidas por veludo, mas o chão também. Isso o traz uma sensação de inquietação terrível e, com firmeza dá o primeiro passo em direção a porta branca do outro lado. Enquanto caminha, é invadido por uma sensação de paz, apesar de abafado, aquele corredor não transmite uma sensação de aprisionamento. Por alguns momentos, Dylam se sente livre. Agora correndo, ele vai se aproximando da misteriosa porta branca. Motivado por uma curiosidade que o deixa inquieto, Dylam chega a porta, com movimentos rápidos a abre, e só consegue vislumbrar a escuridão. A fraca iluminação das lâmpadas do corredor não chega ao local. Sem medo, dá um passo para dentro do local absurdamente escuro, e não acha nada abaixo de seus pés quando pensara achar o chão. Sem apoio, Dylam acaba caindo num abismo. Numa queda livre pavorosa, ele se delicia da sensação de estar prestes a morrer. Enquanto cai para escuridão mórbida abaixo de si, sua mente não entende mais nada do que está, ou poderia estar acontecendo ali. Na verdade, parece que nunca entendeu... “Onde estou?” e “Por que estou aqui?” são as perguntas que o corroem. Nos segundos que mais parecem eternidade Dylam relembra toda angústia que passou com a morte de sua mãe. Em como todos seus amigos e familiares vão sentir algo parecido quando ele se for. De repente, Dylam começa a avistar um foco de luz, “talvez seja o fim do abismo”, pensa. Quanto mais se aproxima da claridade, mais ele consegue ver algo refletindo a luz. Parece... Parece água!

Dylam sente o impacto de seu corpo contra a água de forma brusca. Acaba afundando por conta da altura da queda, sorte que o local tem uma boa profundidade, assim consegue retornar a superfície, percebendo que está numa piscina gigante. Ele começa a nadar em direção a borda de cerâmica bege, que circula a piscina. Quando sai, ofegante e com o coração a mil, percebe que está numa gigantesca sala, onde a piscina se encontra no centro, e acima dela o buraco de onde ele caiu. A sala é praticamente idêntica a primeira com exceção de seu tamanho extremamente superior (talvez dez vezes maior), e da gigantesca e profunda piscina ao centro.

Sentado sobre a borda da piscina ele percebe outra diferença entre esse local e a antiga sala onde ele estava. Aqui é frio. Ao contrário do local anterior esse tem um clima agradável e acolhedor. Não há vento algum, mas o local é frio. Não um frio insuportável, mas sim um frio ameno e acolhedor, que esbarra em seu corpo e lhe acalma. Agora mais do que nunca, nada faz sentido para Dylam.

Continua...

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