“Diferentes razões, embalsamadas em frascos caros. Presas em corações sem esperança. Fracassos espalhados por todos os lados de suas vidas os fazem desistir de viver, de amar. Grandes transformações os fazem perceber diferentes orientações. Diversos caminhos impostos em suas mentes.”
Com um olhar brando para os
lados, o jovem Dylam confere o ambiente ao seu redor, uma sala de estar ampla e
aconchegante. Ele senta, e relaxa os músculos para que possa usufruir de seu
relaxante sofá branco. Dylam nunca foi mal de vida. Nascido numa família de
classe média alta, sempre estudou nos melhores colégios da cidade... Depois de
acabar o ensino médio, entrou em uma das melhores Faculdades do país, mas não
terminou o curso. Largou para dedicar-se integralmente a sua carreira como
pintor. Ele liga a TV, assiste um pouco, e logo cai no sono.
Está quente. Muito quente.
Gotas se suor escorrem por seu rosto quando ele se levanta bruscamente. O ar
está pesado, quente. Ele logo percebe que não está em casa. O chão branco está estranhamente
quente. Uma sensação aguda de claustrofobia o invade quando percebe que o lugar
onde está não possui janelas ou portas, apenas paredes pretas revestidas por um
veludo macio e uma iluminação fajuta. Seu cabelo grande e liso também não ajuda
a amenizar o calor, isso só o faz ficar ainda mais desesperado. A confusão que
é formada em sua mente é familiar. Ele já tinha sentido algo parecido quando se
perdeu andando de bicicleta, em seu antigo bairro de seu tempo de criança. Apesar
de na época parecer que ele iria ficar ali, sem rumo pra sempre, depois de
algumas horas seu pai o achou. Mas ele nunca esquecerá o olhar preocupado de
seu pai, da janela da caminhonete gritando seu nome. Aquele olhar lhe transmitiu
paz, uma coisa que estava em falta na sua vida. Alguns meses antes dele decidir
se aventurar pelas desconhecidas ruas do bairro em sua bicicleta, sua mãe
sofreu um grave acidente de carro. Estava em coma desde então, e isso era difícil
de encarar. Ainda mais pra uma criança de apenas oito anos. Mas naquele
momento, o olhar de seu pai foi mais reconfortante que qualquer palavra. Não só
o desespero de não saber onde está, mas o desespero da vida em si desapareceu
no momento em que o olhar de preocupação e alivio emanou dos olhos castanhos de
seu velho pai, e o acertou como uma flecha acerta um alvo.
Todas essas lembranças passam
em sua mente como um raio no horizonte, e ele acaba dando um leve sorriso. Mais
calmo, tenta entender o que se passa começando a apalpar as paredes de veludo.
O veludo preto demasiadamente quente incomoda suas mãos, ele acaba retirando-as
rapidamente. Na verdade, tudo ali o incomoda. Desde o clima quente e abafado do pequeno cômodo,
até aquele veludo esquisito nas paredes. Isso sem falar naquele chão que está
castigando seus pés com sua temperatura elevada.
Continua...
Continua...
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