quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O surreal #1


“Diferentes razões, embalsamadas em frascos caros. Presas em corações sem esperança. Fracassos espalhados por todos os lados de suas vidas os fazem desistir de viver, de amar. Grandes transformações os fazem perceber diferentes orientações. Diversos caminhos impostos em suas mentes.”


Com um olhar brando para os lados, o jovem Dylam confere o ambiente ao seu redor, uma sala de estar ampla e aconchegante. Ele senta, e relaxa os músculos para que possa usufruir de seu relaxante sofá branco. Dylam nunca foi mal de vida. Nascido numa família de classe média alta, sempre estudou nos melhores colégios da cidade... Depois de acabar o ensino médio, entrou em uma das melhores Faculdades do país, mas não terminou o curso. Largou para dedicar-se integralmente a sua carreira como pintor. Ele liga a TV, assiste um pouco, e logo cai no sono.
Está quente. Muito quente. Gotas se suor escorrem por seu rosto quando ele se levanta bruscamente. O ar está pesado, quente. Ele logo percebe que não está em casa. O chão branco está estranhamente quente. Uma sensação aguda de claustrofobia o invade quando percebe que o lugar onde está não possui janelas ou portas, apenas paredes pretas revestidas por um veludo macio e uma iluminação fajuta. Seu cabelo grande e liso também não ajuda a amenizar o calor, isso só o faz ficar ainda mais desesperado. A confusão que é formada em sua mente é familiar. Ele já tinha sentido algo parecido quando se perdeu andando de bicicleta, em seu antigo bairro de seu tempo de criança. Apesar de na época parecer que ele iria ficar ali, sem rumo pra sempre, depois de algumas horas seu pai o achou. Mas ele nunca esquecerá o olhar preocupado de seu pai, da janela da caminhonete gritando seu nome. Aquele olhar lhe transmitiu paz, uma coisa que estava em falta na sua vida. Alguns meses antes dele decidir se aventurar pelas desconhecidas ruas do bairro em sua bicicleta, sua mãe sofreu um grave acidente de carro. Estava em coma desde então, e isso era difícil de encarar. Ainda mais pra uma criança de apenas oito anos. Mas naquele momento, o olhar de seu pai foi mais reconfortante que qualquer palavra. Não só o desespero de não saber onde está, mas o desespero da vida em si desapareceu no momento em que o olhar de preocupação e alivio emanou dos olhos castanhos de seu velho pai, e o acertou como uma flecha acerta um alvo.
Todas essas lembranças passam em sua mente como um raio no horizonte, e ele acaba dando um leve sorriso. Mais calmo, tenta entender o que se passa começando a apalpar as paredes de veludo. O veludo preto demasiadamente quente incomoda suas mãos, ele acaba retirando-as rapidamente. Na verdade, tudo ali o incomoda. Desde o clima quente e abafado do pequeno cômodo, até aquele veludo esquisito nas paredes. Isso sem falar naquele chão que está castigando seus pés com sua temperatura elevada. 

Continua...

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